Saiba o que é SQLite, como funciona, as suas diferenças entre o MySQL e qual das ferramentas de database se adapta melhor para você.

Criar aplicações, aplicações mobile ou aplicativos demanda também contar com uma boa infraestrutura, para garantir que tudo rode normalmente. 

Isso inclui, por exemplo, definir qual é a melhor forma de armazenar as informações, ou seja, escolher um tipo de banco de dados. Neste sentido, o SQLite surge como um dos mais populares, entre mais de 300 ferramentas de database.

Se ainda não conhece, aproveite para saber mais detalhes, veja quando utilizar e um comparativo muito útil entre o SQLite e o MySQL.

O que é o SQLite?

Desenvolvido por D. Richard Hipp e formado por uma biblioteca em linguagem C, o SQLite é um dos bancos de dados relacional mais conhecidos, por ser capaz de criar uma estrutura com um banco de dados embutido.

Funciona basicamente como um servidor próprio e independente, já que o Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados ou SGBD, pode ser executado na mesma instância – eliminando assim as consultas e processos separados.

Portanto, a biblioteca SQLite é gerada e armazenada diretamente no arquivo do banco de dados.

Por ser mais prático e acessível, o SQLite é mais recomendado para:

  • Aplicativos desktop ou mobile mais simples (sem muitas funcionalidades e consumo de dados);
  • Sites mais leves e sem muitos recursos (com páginas estáticas, por exemplo);
  • Sites ou sistemas que ainda não tem muitos usuários (a média de acessos diários gira em torno de 100 mil).

Para não confundir os conceitos, vale relembrar ainda o que é SQL e o que é um banco de dados SQL. O acrônimo vem de Structured Query Language ou Linguagem de Consulta Estruturada, na tradução. Trata-se de uma linguagem específica e de seu banco de dados.

O SQLite faz uso dessa linguagem e para a análise de dados mais complexas pode ser combinado com scripts em Phython, por exemplo.

Como e por que utilizar o SQLite?

O download da última versão do SQLite (versão 3.36.0 de 18/06/2021) pode ser feito pelo sitehttp://www.sqlite.org/. Não é necessário pagar nenhum valor pelo software, já que ele é gratuito e Open Source.

Por dispensar todas as complexidades envolvidas de um cliente/servidor, o SQLite já sai em vantagem. Além disso, é a opção ideal para dispositivos integrados voltados para Internet das Coisas e também utilizado comumente em smartphones e consoles de videogame, por exemplo.

Pode ser utilizado por quem quer colocar em prática seus conhecimentos de programação ou para testar soluções, antes de fazer um alto investimento.

SQLite x MySQL: 6 principais diferenças

Apesar de se tratarem de soluções de database ou serem classificados como Relational Database Management System (RDBMS), o SQLite e o MySQL apresentam diversas diferenças. Entender o que cada banco de dados oferece, pode ajudar também na decisão por um ou por outro.

Para começar, o MySQL é um banco de dados relacional, no entanto, tem o modelo cliente/servidor, onde tem-se uma solicitação e uma resposta, com origem e fontes de consultas isoladas, mas conectadas via rede. Também é de código aberto, mas pertencente à Oracle. 

Veja outros pontos:

1 – Arquitetura

Enquanto o SQLite opera de forma independente, ou seja, sem que você precise ter um servidor, o MySQL tem essa dependência primária.

No primeiro caso, o banco e a aplicação rodam em conjunto, já no outro irá exigir uma arquitetura mais robusta e na maioria das vezes, mais cara dependendo do tipo de projeto que será desenvolvido.

2 – Tipos de dados suportados

A lista de tipos de dados e linguagens aceitas pelo MySQL é maior. É compatível com alguns dos formatos mais comuns do mercado como Tinyint, Timestamp, MediumBlob, MediumText e Datetime. Já o SQLite é compatível com Integer, Real, Text e Blob apenas.

3 – Capacidade de armazenamento

Enquanto um acomoda bancos de dados de no máximo 4GB, a biblioteca do Lite suporta apenas 250kb ou bancos de no máximo 1GB. Por esse motivo, acaba sendo mais indicado para aplicações menores e que necessitam de menos consumo de banda.

Se mais pessoas acessarem o seu website, por exemplo, mais dados serão transitados e armazenados. E, neste caso, quanto mais limitada ou restrita a capacidade, maiores são as chances do site apresentar erros ou não oferecer uma boa experiência para os visitantes.

4 – Consultas

Por ter menos espaço, no caso do SQLite as consultas costumam demorar um pouco mais e não são simultâneas. Por outro lado, o MySQL já oferece consultas paralelas com maior rapidez. Isso quer dizer que o retorno das buscas pode ser mais ou menos lento, conforme o sistema que você optar.

Esse é, inclusive, um dos pontos mais críticos e que deve ser priorizado em sua avaliação.

5 – Migração de informações

Os arquivos que ficam armazenados em um banco de dados, geralmente podem ser migrados para outro. Antes disso, é claro, é necessário avaliar a compatibilidade dos formatos. Em muitos casos, os arquivos podem ser organizados de forma individual.

Assim, os desenvolvedores têm mais autonomia para escolher o que copiar. O MySQL tem formato específico e a exportação tende a ser mais longa e isso se deve ao fato de ter grandes bases.

6 – Acesso e segurança

Em relação a segurança o MySQL conta com sistema de autenticação e controle de usuários. Na prática, isso quer dizer que qualquer pessoa que quiser acessar o banco de dados irá informar seu usuário e senha. Sem isso, não é possível ter acesso.

No caso do SQLite, o acesso ocorre a partir de uma única conexão direta no banco. Por esse motivo, os riscos acabam sendo maiores mas, com os devidos cuidados, as alterações podem ser feitas sem prejuízo.

Uma dica altamente recomendável neste sentido é ter processos bem definidos e até mesmo definições claras de quem pode ter acesso ao banco original. Dessa forma, estabelecer regras mínimas pode ajudar a manter a segurança das informações.

Vantagens e desvantagens do SQLite e do MySQL

Como você viu, as duas opções podem ser utilizadas a depender da sua necessidade. Ao escolher um RDBMS é importante comparar desde o início suas vantagens e desvantagens. Um dos motivos mais óbvios para isso é: economia de tempo com retrabalhos.

Ao planejar seu novo projeto liste todos os recursos que serão essenciais. Um fator que é imprescindível é pensar também em como escalar esses recursos. Portanto, a resposta para essas dúvidas podem ser filtros para a sua comparação.

Ainda que um site ou aplicativo inicialmente não tenha muitos usuários ou acessos inicialmente, você poderá projetar o seu crescimento até para ter uma dimensão dos custos diretos e indiretos. E, se isso acontecer, deve ter uma infraestrutura preparada e adequada.

Listamos abaixo o resumo de cada um:

SQLite: vantagens e desvantagens

Vantagens

  • É estável, multiplataforma e compatível com versões anteriores;
  • Seu código é de domínio público e gratuito, ou seja, todos podem utilizar;
  • Não necessita de instalação ou configuração;
  • Guarda o banco de dados em um único arquivo.

Desvantagens

  • É mais simples e não suporta um volume grande de informações;
  • É mais restrito em relação aos formatos dos arquivos aceitos.

MySQL: vantagens e desvantagens

Vantagens

  • Armazena e relaciona um volume de dados superior;
  • Baseado no modelo cliente/servidor;
  • Pode ser utilizado em nuvem e roda em diversos sistemas operacionais.

Desvantagens

  • Pode ter consultas mais demoradas;
  • Demanda backups constantes;
  • Pode exigir uso complementar de bancos com outros recursos avançados.

Então, está pensando em desenvolver um aplicativo Android? Ou pensando em criar algum projeto de tecnologia das coisas? Vai subir um site novo? Você pode começar estudando mais sobre esses bancos de dados.

Além disso, não deixe de explorar todas as demais possibilidades a fim de obter o melhor desempenho e experiência para seus usuários.

Abaixo, você poderá ver um vídeo que fala um pouco mais sobre SQLite! Por isso, não deixe de conferir e expandir ainda mais o seu conhecimento.